Problemas mundiais com uma solução em comum: o veganismo
Você já se imaginou fazendo um
churrasco no final de semana? Os amigos reunidos, a família, aquele clima
agradável, o cheirinho característico, todo ritual de preparação do “evento” e
na hora de colocar o espeto na churrasqueira, ao invés de carne e derivados de
animais, contar com outros ingredientes?
Estranho? Para os veganos, não. É o que nos contou
o professor universitário Dr. Fernando Antunes, em entrevista aos alunos do
curso de jornalismo da Faculdade São Francisco de Assis.
Sua caminhada até se tornar vegano passou pelo
vegetarianismo. Para quem não sabe, são pequenas diferenças que identificam
essa separação. No vegetarianismo, o regime alimentar é baseado na exclusão da
dieta de todos os tipos de carnes (boi, peixes, aves, frutos do mar, porco e
outros animais) A base fundamental da alimentação inclui produtos de origem
vegetal, com ou sem o consumo de laticínios e/ou ovos. No veganismo, além de
ser considerado uma filosofia de vida baseada no discurso pacificador e da não
violência, o regime alimentar exclui completamente da dieta todos os tipos de
carnes já citados anteriormente, inclusive seus subprodutos, bem como alimentos
que contenham em sua fórmula produtos de origem animal e seus respectivos
derivados: leite, ovos, queijo, manteiga e mel.
Seguindo a conversa com os educandos, Fernando
apresenta dados de pesquisas onde o aumento no consumo de carnes vermelhas
indica 48% no risco de desenvolver Diebetes tipo 2, enquanto a diminuição do
seu consumo, pode reduzir em 14%, porém em um período de 16 anos. Ou seja, o
malefício se apresenta de forma mais imediata enquanto os benefícios levam mais
tempo para serem identificados.
Outro ponto colocado pelo entrevistado é a
questão do desmatamento e da poluição ambiental. O espaço utilizado para a
criação de vacas serviria para uma grande produção de grãos e vegetais. Como
exemplo, em apenas um hectare de terra, é possível produzir cerca de 80 kilos
de carne, enquanto no mesmo espaço, são produzidos de 40 a 50 mil pés de
tomate. Considerando apenas esses números, a redução do consumo de carne animal
pode recuperar grande parte das terras desmatadas no planeta.
Quando se fala na questão poluição, Fernando
coloca estudos que apontam uma quantidade significativa de emissão de gases
oriundas da criação pecuária e produção de seus subprodutos. São jogados na
atmosfera por volta de 32 mil toneladas de dióxido de carbono, o famoso CO2,
por ano. Ou seja, 51% de todas as emissões de gases responsáveis pelo efeito
estufa em todo o mundo. E os números se tornam ainda mais alarmantes quando se
trata de outros gases ainda mais danosos ao ambiente. Quando se fala em óxido
nitroso, a pecuária é responsável pela emissão de 65% das emissões humanas
desse gás e seu poder de contaminação da atmosfera é 296 vezes maior que o CO2,
sem falar que sua permanência no ar chega por volta dos 150 anos.
Fernando também aponta o veganismo como uma
solução para a diminuição da violência no planeta. Cita que quando temos o
respeito pelos animais domésticos, é incoerente não levar o mesmo tratamento aos
outros seres desta espécie, independente se são próximos a nós ou não. Ele acredita
que a diminuição da violência no abate dos animais, colabora para a diminuição
da violência mundial.
Tratando da questão da fome mundial, a
Organização das Nações Unidas (ONU) aponta que a única forma de redução dos
impactos ambientais, da escassez de combustíveis e da diminuição do número de
mortes por falta de alimentos e desnutrição é a migração da sociedade para uma
dieta vegana. Com a previsão de crescimento populacional beirando os 9,1
bilhões de pessoas em 2050, o consumo de carnes e derivados vai tornar-se
insustentável. O aumento da criação animal, consome grande parte da produção de
cereais e grãos, grande parte da água doce do planeta, sem falar na alta
produção de pesticidas e fertilizantes, produtos que também aumentam a poluição
atmosférica e o consumo de água potável.
Baseado nessas colocações apresentadas, o Prof.
Fernando encerrou sua coletiva deixando como recado aos novos jornalistas uma
reflexão acerca do assunto. Saber que o discurso de não violência e colaboração
com a situação atual do planeta está plenamente relacionado com suas opções de
vida e crenças. Saber que é possível ajudar a recuperar o mundo onde vivemos
através de mudanças pequenas nos hábitos diários. Saber que um simples
churrasco pode se transformar em um evento saudável, com baixo potencial de
poluição e incluso na filosofia de proteção do planeta onde vivemos.
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