Transferência de responsabilidades e inversão de papéis.
Realidades da
rotina de sala de aula no Ensino Fundamental
Trabalhar com educação tem se
tornado uma tarefa árdua e desgastante. Não pela quantidade de crianças em sala
de aula, mas pela transferência de responsabilidade da família para a escola em
educar seus filhos. Este vem sendo um dos problemas mais recorrentes nas instituições
de Educação Infantil e Ensino Fundamental.
Através do relato de uma professora
que trabalha com o nível de ensino em questão, podemos evidenciar que os pais,
ao passarem cada vez menos tempo com seus filhos, acabam por colocar a
responsabilidade de trabalhar os valores da família para o Educandário, o que
se torna uma terceirização da função paternal.
De acordo com a docente, o papel de
instruir as crianças de acordo com princípios de boa conduta e civilidade está
ficando a cargo de quem passa mais tempo na convivência diária dos alunos. Mas existe
diferença entre trabalhar as valências físicas e intelectuais e ter que
transmitir virtudes que podem não ser as mesmas praticadas no convívio
familiar. “É como se eu fosse uma mãe adotiva para eles. Só que cada família
cultiva seus valores e crenças. Parece que minha função é passar aos pequenos,
uma vivência que eu não tenho. Me sinto em um voo cego, sem saber onde pousar e
quais turbulências encontrar no caminho”, relatou a educadora.
Logo, a inversão dos papéis acaba
por se tornar visível em eventos escolares, onde as crianças se sentem mais
seguras no colo de suas tutoras do que com seus familiares. Situações como essa
são corriqueiras e não espantam mais quem trabalha no ramo educacional.
Tornou-se necessário que as figuras
paternas passem a exercer seu lugar de protagonistas no dia-a-dia de seus
filhos. É desta maneira que teremos uma geração com o senso de respeito e
hierarquia bem representados em seus lares.