Passados três anos do incêndio que destruiu
parte do segundo andar do Mercado Público de Porto Alegre, a reabertura da área
atingida não tem data prevista para acontecer. Além do atraso na obra, metade
do valor garantido pela União ainda não foi liberado e a empresa responsável
pelo seguro da construção centenária faliu. Situações que fazem parte do
cotidiano de um dos prédios mais frequentados pelos moradores da capital
gaúcha.
O Governo Federal, através do Ministério da
Cultura, do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) Cidades Históricas e do
Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), na gestão da
presidente Dilma Rousseff, disponibilizou a quantia de R$19,5 milhões após a prefeitura
apresentar projetos para a recuperação e reconstrução da área afetada. Desse
valor, apenas R$ 9,6 milhões foram utilizados para a restauração das
alvenarias, revestimentos internos, esquadrias, pisos, construção de laje e
telhado cerâmico, recuperação da estrutura metálica da cobertura sobre o pátio
central e elaboração dos projetos complementares.
De acordo com o coordenador da Secretaria
Municipal da Produção, Indústria e Comércio de Porto Alegre (SMIC), Carlos
Vicente Bernardoni Gonçalves, ainda está sendo aguardada a liberação do
restante do recurso federal, mas esta verba não tem data definida para chegar. Com
o valor a ser recebido, o local passará por uma revitalização completa,
modernizando todas as instalações elétricas, hidráulicas e hidrossanitárias,
bem como recuperando a fachada e o piso das áreas não atingidas.
Para ele, o maior entrave para a conclusão da
obra é o fato de estarmos recuperando um prédio histórico. “Tem que repor o que existia, nas mesmas condições. Se tinha uma telha
de 33,4cm, tem que repor uma telha de 33,4cm. Se tu passar por todos os
fornecedores e disserem que não existe, talvez seja possível usar uma telha de
33,5cm, desde que o órgão ligado ao Ministério da Cultura e ao Patrimônio
Histórico, diga que pode utilizar esse material. ”, explica Vicente.
A situação poderia ser pior com relação ao
seguro do Mercado, pois a empresa responsável pela apólice faliu. Mesmo assim,
irá honrar com 90% do valor segurado. Com esse dinheiro a prefeitura irá cobrir
os R$ 4 milhões em gastos que estão sendo feitos com os recursos do caixa
municipal. Esse valor é aplicado no conserto da estrutura metálica,
substituição de parte do telhado central e demais acessórios e recuperação das
instalações elétricas da parte atingida pelo fogo.
Outro fator que colaborou para o atraso é a adequação
às novas normas do Plano de Prevenção e Proteção Contra Incêndios (PPCI).
Segundo Vicente, os bombeiros exigiram duas novas escadas de acesso ao segundo
andar. Como se trata de uma construção antiga, essa adequação é obrigatória para
não limitar o ingresso de pessoas à parte superior.
A expectativa de conclusão da primeira etapa da
obra é dia 30 de setembro deste ano, mas a liberação do local ainda depende da vistoria
e aprovação dos bombeiros. Para isso, são necessários mais R$ 2 milhões, dinheiro
este que a prefeitura busca com grandes empresários que possuem empreendimentos
na cidade e necessitam quitar as contrapartidas municipais de seus
investimentos.
Tanto o presidente da Associação do Comércio do
Mercado Público (ASCOMEPC), Ivan Konig Vieira, assim como os permissionários
dos restaurantes atingidos pelo incêndio, não retornaram o contato da
reportagem afim de obtermos mais informações sobre o processo e como eles estão
lidando com as novas condições de instalação.
A rotina atarefada e corrida dos frequentadores
do Mercado, faz com que eles desconheçam sobre o andamento da reforma. A
população só sabe alguma informação a respeito quando é noticiado pela
imprensa. Muitos passam pelo local e não reparam o ritmo lento das obras e a
impossibilidade de desfrutar daquele espaço.
O sinistro ocorreu no
dia 06 de julho de 2013, por volta das 20h30 e destruiu a parte superior do
prédio localizada entre as Avenidas Borges de Medeiros e Júlio de Castilhos. O
local ficou fechado ao público até o dia 13 de agosto de 2013, quando os
bombeiros, após vistoria, liberaram o acesso apenas ao andar térreo do prédio.![]() |
Parte atingida pelo
incêndio no Mercado Público ainda se encontra em obras
(Foto:Luciano
Coimbra)
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Segundo piso
ainda está desativado para circulação da população.
(Foto: Luciano
Coimbra) |

